Como Gostais

   Ah, enfim! E como tudo tem um lado positivo, até mesmo a demora pra postar, isso indica que não sofremos de ejaculação precoce literária.

   Como eu fiz o favor de assassinar as lentes do meu óculos a algum tempo, e o novo não chega, minhas leituras vão até o momento que o nervo ótico grita: – VOU ROMPEER!. Daí eu paro de ler e continuo trabalhando. E a última odisseia que eu li, entre um atendimento ou outro, foi o conto Como Gostais, de William Shakespeare.

   A história é sobre amores. O amor da filha de um duque banido, Rosalinda, por Orlando, filho de outro duque, que foi deserdado pelo irmão mais velho e malvado. Depois de ser expulsa do ducado do seu tio, onde morava com sua prima, Célia, ela vê o Orlando ganhando um duelo do guerreiro mais foda da região. E ali, eles se apaixonam perdidamente, com apenas meia dúzia de palavras trocadas.

   Então ela tem uma ideia M-A-R-A, ela se veste de homem e aconselha ao seu amado a não se apaixonar por ninguém, inclusive a ela, versão menina! Djéésus! Em outra dimensão onde eu me vestisse de menino, no mínimo eu diria o como eu sou amada, cheirosa e querida. Não vou ficar espalhando por aí que eu vou embarangar, emburrar e ser uma total chata após o casamento. Depois a Febe, uma pastora, se apaixona por Ganimedes, Rosalinda versão machinho. E como toda essa gente tem um par que lhe devota amor eterno, e no fim… Adivinha? Todos se casam!

   Foi um texto surpreendente, nada tem explicação! Todos se apaixonam, e todos saem casados. E o ponto mais importante de se ressaltar do livro é, que com exceção de Sílvio e Febe, que se conheceram antes de se apaixonar perdidamente, ou assim parece, todos os outros personagens se viram uma única vez.

   No meu cálculo mental, isso tem uma explicação quase que matemática. Em cidades pequenas de mil habitantes ou menos, onde todos se conheciam desde pequenos e não tinham  ferramentas que facilitavam a traição e novos relacionamentos, como Orkut, face, msn o casamento é eterno até enquanto duro, como diria @Jean_Motta. Mesmo que isso seja até uns 40 anos na melhor das hipóteses daquela época. Onde o adultério se dava em lindas macegas ao ar livre. Então ficava foda gurizada. 

   Mas no fim do texto, você descobre que leu algumas páginas de um romance medieval da melhor categoria. Com espadas, amores, bobos da corte, e algumas alfinetadas na vida da corte. Não li Shakespeare para saber do seu modo de escrever, mas pra quem gosta de teatro, é um prato cheio, com sacadas legais de comédia e uma tragédia daquela época. Por que afinal de contas, tragédias de hoje em dia são prédios americanos desabando, ingleses colocando fogo na cidade, crianças sendo jogadas de janelas.

   Assim que inventarem a máquina do tempo, quero ir direto para o tempo onde o maior problema eram amores impossíveis. 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s